GHREBH-, em indoeuropeu significava 'cavar, escavar', transformou-se, no germânico antigo, em /graban/ com o significado de 'escavar' ; transformou-se também em /graver/ (francês) com o sentido de lavrar em oco ou em relevo uma inscrição ou figura. As variantes GEREBH- ou GERBH- significam 'riscar, arranhar'. Dão origem ao anglo-saxônico /ceorfan/ 'recortar', ao alto alemão antigo, /kerban/ 'fazer uma incisão', ao norueguês / krabbe/ 'escavar'. Em grego deu /graphein/, como 'gravar, lavrar em baixo ou alto relevo uma inscrição ou figura, escrever'. Em latim /graphium/ significa 'estilo, ponteiro para escrever na cêra' e /graphiarium/ quer dizer 'estojo para guardar os estiletes com que se escrevia'. Dessa raiz comum vieram todas as palavras derivadas e compostas de gravar e grafia como biografia, gráfico, grafite, parágrafo, gravação, gravura. Também dessa mesma raiz provém o gre o /gramma/, com o significado de 'letra, linha' e seus compostos e derivados como programa, gramática, epigrama, anagrama, cardiograma e telegrama. (Fontes: Roberts/Pastor, Diccionario etimológico indoeuropeo de la lengua española; Kluge, Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache; Faria, Dicionário escolar latino-português; Pokorny, Indogermanisches Wörterbuch)
ISSN 1679-9100 Número 11 | Brasil — São Paulo | março de 2008

A Máquina de mundo: uma análise do conceito de aparelho em Vilém Flusser

Marcia Tiburi

Resumo


Este artigo pretende analisar a conexão entre o conceito de mundo e o de aparelho na obra de Vilém Flusser tendo em vista a desproporção entre a categoria “mundo” própria a um pensamento metafísico e a categoria “aparelho” que constitui o ponto de inflexão para um pensamento preocupado em analisar a pós-história. “Mundo codificado” é expressão para designar a novidade do mundo em tempos de pós-história, temporalidade que, a rigor, teria eliminado a possibilidade de “pensar” um “mundo”. Mundo codificado seria uma categoria derradeira da época em que ainda se podia pensar o mundo no momento em que ele deixa de ser pensável, justamente porque foi “codificado”. A filosofia de Flusser oferece categorias que, como dardos, ainda se lançam no tempo pós-histórico para fazer sobreviver o pensamento que faria sobreviver o humano, em tempos nos quais justamente o humano perdeu seu lugar. Qual o estatuto de um pensamento para tempos desumanos, que o são justamente por que eliminaram a potência e a possibilidade de um pensamento como potência humana?

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