A Máquina de mundo: uma análise do conceito de aparelho em Vilém Flusser
Marcia Tiburi
Resumo
Este artigo pretende analisar a conexão entre o conceito de mundo e o de aparelho na obra de Vilém Flusser tendo em vista a desproporção entre a categoria “mundo” própria a um pensamento metafísico e a categoria “aparelho” que constitui o ponto de inflexão para um pensamento preocupado em analisar a pós-história. “Mundo codificado” é expressão para designar a novidade do mundo em tempos de pós-história, temporalidade que, a rigor, teria eliminado a possibilidade de “pensar” um “mundo”. Mundo codificado seria uma categoria derradeira da época em que ainda se podia pensar o mundo no momento em que ele deixa de ser pensável, justamente porque foi “codificado”. A filosofia de Flusser oferece categorias que, como dardos, ainda se lançam no tempo pós-histórico para fazer sobreviver o pensamento que faria sobreviver o humano, em tempos nos quais justamente o humano perdeu seu lugar. Qual o estatuto de um pensamento para tempos desumanos, que o são justamente por que eliminaram a potência e a possibilidade de um pensamento como potência humana?
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